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quinta-feira, 12 de abril de 2012

A política , a polêmica e o sentido das palavras .

Luciano Siqueira

Publicado no Blog da Folha

Nada mais natural do que a divergência de opiniões, em qualquer esfera da vida – na política, sobretudo. Como bem ensina a sabedoria popular, “os dedos das mãos não são iguais”. E quando se põe em causa o poder, em qualquer uma das suas instâncias, a polêmica é inevitável – mesmo entre correntes políticas e militantes do mesmo campo de forças.

Se tudo fosse simples demais, tão claro como a luz do dia, certamente não haveria sequer a necessidade da política como modalidade de relação entre as pessoas. Daí se ter que encarar com naturalidade a disputa de ideias e projetos, no fundo reflexos de interesses de classe ou de segmentos de classe, explícitos ou velados.

Mas a vida tem ensinado que a boa polêmica como meio de expressão de propostas contraditórias há que se desenvolver no leito da convivência democrática. Por respeito mútuo e em homenagem aos verdadeiros interessados - a população, que decide através do voto.

Nesse sentido, a palavra se faz preciosa: aproxima e une ou divide e distancia. Quando mal empregada, instrumento do ataque pessoal ou de julgamentos depreciativos ou preconceituosos, em nada ajuda a esclarecer, antes contribui para rebaixar o debate e para gerar fissuras e sequelas difíceis de reparar.

Miguel Arraes, em mais de meio século de atuação política contínua, nos deu um belo exemplo: jamais atacou nenhum oponente pessoalmente, dirigindo-lhes impropérios e desqualificando-os. Em dezessete anos de militância comum, em apenas uma única ocasião o vi referir-se nominalmente a um adversário: Jarbas Vasconcelos, a quem vaticinou o “caminho da perdição” quando se atrelou às forças conservadoras. E nos termos em que o disse não se pode caracterizar como ataque pessoal.

Aproximamo-nos das convenções partidárias com vistas ao pleito de outubro, que acontecerão em junho. No seio de partidos e frentes partidárias acelera-se a discussão de projetos e nomes. Pretensões em geral legítimas se assanham em busca dos apoios indispensáveis. Em alguns casos, o limite entre o razoável e o descontrole mostra-se tênue, correndo-se o risco de rupturas irremediáveis, agora e em médio prazo. O que é ruim sob todos os títulos, pois discrepâncias momentâneas não podem, nem devem, implicar impossibilidade de futura conjugação de esforços. Afinal, alianças se dão em torno de objetivos de curto e médio prazo, ressalvadas as diferenças programátic as ou ideológicas. É assim aqui e em qualquer parte do mundo.

Dom Helder Câmara, à margem das lides políticas, produziu uma frase que deve inspirar os mais exacerbados, na busca da tolerância: “Se tu diverges de mim, tu me enriqueces.” Que assim seja.

Luciano Siqueira

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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

A quarta deira que deixou de ser ingrata,

 


Publicado em: 27-02-2012 | Por: Inaldo Sampaio | Em: Artigos, Blog, Pernambuco


 


Por: *Luciano Siqueira

Desde os tempos de criança aprendi a ver a quarta-feira de cinzas como algo solene, religioso e até mórbido. “A missa de cinzas é para tirar os pecados do carnaval”, dizia a avó Neném, contrita e ameaçadora. E aos meninos da casa aquilo naturalmente parecia estranho. Afinal, que pecados teríamos cometido levados ao corso pelo próprio pai, folião entusiasta?

Depois, já na adolescência, a quarta-feira assumia um tom de tristeza, de perda, de fim de festa embalado pela canção de Luis Bandeira: “É de fazer chorar/quando o dia amanhece/e obriga o frevo acabar/ó quarta-feira ingrata/chega tão depressa/só pra contrariar…”.

Hoje não é mais assim. A quarta-feira deixou de ser ingrata há muito tempo, aqui, na terra do frevo e praticamente em todos os lugares onde se cultuam os dias de Momo. A missa de cinzas continua, claro, conforme a tradição católica; e suponho que tenha cultos correspondentes nas demais vertentes religiosas. Mas quem disse que a folia acaba? No mínimo vai até o domingo, com o “Bloco do Camburão”, no Recife, na praia de Boa Viagem e com o desfile das escolas de samba vencedoras no Rio de Janeiro, só para citar dois exemplos.

No Recife e em Olinda a algazarra prossegue e a todo vapor. Tem “Os Irresponsáveis”, no bairro de Água Fria, na capital, o “Bacalhau na Vara” e o “Segura a Coisa”, pelas ladeiras de Olinda, e por aí vai.

A modernidade e o ritmo frenético da vida nas cidades se subrepõe à tradição religiosa e a necessidade de prolongar a alegria prevalece. “É o fim do mundo, meu filho”, certamente diria a avó Nenén se viva estivesse. Fim do mundo certamente não é, mas a expressão de novos costumes, sim.

O mesmo acontecerá logo mais na Semana Santa, outrora consagrada tão somente à reverência diante do sangue do Cristo derramado, mormente na sexta-feira. Basta dar uma olhada nos prospectos das agências de turiusmo para constatar o quanto se prevê de espetáculos musicais que nada têm a ver com os dobrados, marchas e peças típicas da tradição clássica ocifental ligada à liturgia católica. Pelo interior de Pernambuco avultam bandas brega (incluindo repertório irreverente e de duplo sentido), duplas sertanejas, DJs e grupos de rock’n'roll.

Tudo isso envolve também, ao lado da mudança de comportamento, sobretudo de parcelas expressivas da população mais jovem, a chamada economia da cultura. O calendário assim mesclado de religioso e profano movimenta milhões. Caso de Fazenda Nova, no Agreste Pernambucano, onde se realiza a concorrida Paixão de Cristo, e enseja ao lado rentáveis empreendimentos que vão da hotelaria às casas de espetáculo, gerando lucros e empregos temporários que justificam inclusive o suporte governamental.

Enfim, a quarta-feira de cinzas deixou de ser ingrata e cedeu seu lugar ao domingo… E assim caminha a Humanidade..

Qual a sua opinião?

*Luciano Siqueira é deputado estadual pelo PCdoB

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

POSTADO ÀS 17:12 EM 24 DE Novembro DE 2011
“Mesmo em lados opostos, @priscilakrause, tomo a liberdade de dizer que gostaria de vê-la candidata pelo DEM”, escreveu o dpeutado estadual do PC do B, nesta tarde.
Postado por Jamildo Melo